Uma tal Medicina Sexual

Atualizado: 9 de mar.

Qualquer conteúdo a respeito de sexo costuma chamar nossa atenção quase que automaticamente, já perceberam? Porém, o estudo dirigido à sexualidade nem sempre segue tamanho interesse. A Medicina Sexual que estuda os diagnósticos, tratamentos e prevenção de distúrbios da função sexual, não parece ser tão populares entre as profissões e acabamos por conhecermos pouco desta ciência e sua atuação.

Passamos então, a diferenciar pornografia de erotismo, saúde sexual de disfunções e até mesmo má formações genitais. Daí, surgem os que se arriscam a ter este estudo como sua profissão, os sexólogos! Oh, profissão complicada, mal interpretada, motivo de chacota, que sofre preconceito até mesmo nos campos médicos ou da psicologia. Sobrevivem aqueles que continuam acreditando na importância e resultados que garantem a qualidade da vida dos seus pacientes; atingindo além das questões sexuais, mas também pelo sofrimento emocional extremo, problemas familiares, sociais e até profissionais.

Os tratamentos clínicos, representados pela ética do sigilo, dentro dos consultórios de atendimentos individuais, são os de maior sucesso. Atualmente os atendimentos online com a facilidade de não precisarmos nos deslocar e praticado por profissionais gabaritados, vem ganhando espaço com consultas semelhantes às sessões de psicoterapia em que a palavra é a principal ferramenta de trabalho.

Sinto informar àqueles que acreditam que o público alvo são idosos, pois estes representam a minoria da população atendida; os jovens casais são os que mais procuram os tratamentos e, com frequência, atendemos crianças de pouquíssima idade, por volta dos 3 anos. Minha prática não pode ser vista como referência, mas em praticamente 20 anos de atuação profissional, atendi muito mais a população masculina do que a feminina, me trazendo a dúvida se as queixas são maiores aos homens, ou se são as mulheres que não valorizam a resolução destas questões.

O lado informativo, geralmente associada às mídias, seguem um conteúdo mais simples, prático e informativo que na clínica dificilmente iremos tratar, pois lá, é lugar de dor, de angústias e sofrimento por assuntos que muitas vezes são confidencializados apenas ali, mas que na mesa do bar, ao lado dos amigos, toma uma forma muito diferente, vocês devem imaginar!

Apesar de terem, em média, um tratamento rápido (se comparado às psicoterapias tradicionais), com duração de 20-30 sessões de 50 minutos cada; muitas pessoas levam anos e até décadas para iniciar o tratamento correto. Por vezes, já tentaram de tudo: de pornografia, simpatias, garrafadas, a “medicações” com qualidade duvidosa vendidas pela Internet. A vergonha, o desconhecimento de profissionais sérios e o sentimento de “amanhã será diferente” ou “com outro(a) parceiro(a) será diferente”, aumenta o tempo para a busca da cura. Como na maioria de qualquer queixa que tenhamos, cada ano que se passa representa uma dificuldade extra para sua solução.

Já perceberam como somos incentivados a sermos bons como profissionais, amigos, parentes, vizinhos e em nossas finanças? Mas dificilmente somos incentivados a garantirmos estes mesmos sucessos na área sexual e quando isto não acontece espontaneamente, ou apresentamos uma má formação genital que nos impede de termos sucesso, ficamos desnorteados, calados e sofrendo horrivelmente, sem trégua, distantes do desejo como prazeroso e nos aproximando de um desejo quase inacessível. Ainda não atingimos o ideal de educação sexual aos nossos filhos e eles, provavelmente, também terão dificuldade de procurarem auxílio profissional diante de um sofrimento. É pra isso que a formação como Educadora Sexual me traz orgulho por um lado e tristeza pela pouca procura por outro lado. Onde estão os pais com dúvidas? Onde estão as escolas despreparadas desde a educação infantil até o ensino superior? Onde estão os investimentos governamentais? Imagino que largados às pesquisas rasas e muitas vezes equivocadas no Google.

Nunca vou perder o costume de pedir àqueles que me ouvem (ou leem), que tenham uma atitude multiplicadora do conhecimento que tanto precisa se difundir. Então me ajude, passe algo que conheceu aqui para alguém que também possa se interessar pelo assunto, combinado?

#medicinasexual #psicoterapiasexual #sexólogos #sexualidade #educaçãosexual

0 visualização0 comentário